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Vamos Desfraldar! Com as Salas de 1-2 anos! 

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Estamos na fase final do ano letivo sendo esta uma altura de muita responsabilidade no que respeita à entrada no 1º ano. A situação de pandemia que vivemos deixou os cuidadores sobrecarregados com funções de ensino que são geradoras de grande ansiedade.

Mais do que nunca as preocupações, os medos, as dúvidas dos pais começam a surgir: “Estará o meu filho preparado para o 1º ano?”.

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Informação de mais "à solta" não representa um ganho

Talvez desde a Segunda Grande Guerra, e à escala global, esta será a primeira vez, em setenta e cinco anos, que estamos, de modo muito real, a confrontarmo-nos todos com um vulto de morte que ameaça as nossas vidas, nos atormenta e assusta. Com a particularidade do "inimigo" ser igual para todos nós. Independentemente da "classe" social, do credo, da cor, ou de tudo aquilo que, por vezes, de forma tão insensata, nos separa. E com a ironia deste "inimigo" - que é tão inacreditavelmente mais pequeno que nós mas que, assustadoramente, nos pode matar - surgir numa época em que o individualismo, a indiferença e os discursos de ódio iam surgindo com uma leveza que nos levava a perguntar onde se teria a humanidade desencontrado de tantos de nós.

Tantas transformações como aquelas que estarmos todos a viver com o coronavirus, tão de um dia para o outro, irão transformar-se em marcos para o crescimento dos nossos filhos. E não é necessário que haja grandes tragédias para que eles as aproveitam para o seu crescimento. O que, diga-se, poderá trazer-lhes um conjunto de argumentos que lhes virão a trazer mais humanidade para o seu futuro. Logo, toda esta imensa preocupação que nos une, bem gerida, pode transformar-se num factor de crescimento para eles.

Mas voltemos ao princípio de tudo. Temos todos vindo a assumir, devagarinho, a chegada do coronavírus às nossas vidas. Primeiro, reconhecendo a sua existência. Depois, não deixando de o ter em consideração na forma como perspectivamos o nosso dia a dia, sobretudo quando se trata de alterarmos rotinas, compromissos sociais ou procedimentos de cordialidade na relação de uns com os outros. A seguir, ponderando cuidados a levar por diante quando se trata de imaginar uma quarentena ou, porventura, uma doença mais grave que resulte da sua contaminação. E, finalmente, assumindo comportamentos educativos que - não podendo nós estar em todos os lugares, ao mesmo tempo, cuidando deles - protejam os nossos filhos, depois de devidamente informados e advertidos por nós.

Os medos existem para as crianças desde que eles existam para os seus pais. Muitas vezes, os medos não precisam de ter uma forma ou um nome. Basta que sejam referidos pelos pais. Ou, por mais que eles tentem resguardar os filhos daquilo que os assusta, basta que os pais oscilem, levemente, com o olhar ou dêem, em milésimos de segundo, um sinal subtil que os filhos interpretam como uma "luzinha" de alarme e que faz com que elas registem esse sinal, quase imperceptível, reagindo, de imediato. Esconder os medos dos filhos não os sossega! Antes pelo contrário. Porque eles os intuem, ao não terem uma "legenda" clara que os leve a sentirem-se esclarecidos, é natural que, em função dos sinais que "apanham" nos pais, fiquem apreensivos ou assustados. E, porque aquilo que escutam dos seus pais não só não os esclarece como, pelo contrário, adensa a aura de mistério que sentem neles, é de esperar que o silêncio dos pais "em cima" do medo que sintam neles os assuste, ainda, mais. Portanto, entre viver os seus medos em silêncio ou vivê-los com uma "legenda" esclarecedora, fale daquilo que o/a assusta; por favor. Logo, começando pelo princípio, a saberem por alguém aquilo que entenda indispensável que eles saibam sobre o coronavirus, é importante que os seus filhos sejam esclarecidos pelos pais.

O passo a seguir, tem a ver com a forma como "explica" aos seus filhos os seus medos. Constatar os seus medos e assegurar as crianças que, por mais que eles existam, a sua determinação para os vencer é "imbatível" será, digamos assim, a "fórmula certa". O que é mesmo muito importante para os seus filhos, em primeiro lugar, é que fique claro que: sim, "não há medos nem enigmáticos nem misteriosos para os meus pais". A seguir: sim, "não consigo perceber muito bem a razão de ser dos medos dos meus pais mas, tudo leva a crer, eles parecem não vacilar quando se trata de os vencer". Finalmente: "seja o que for que os faça tremer, os meus pais são assim uma espécie de "super-heróis" que, quais "exterminadores", são implacáveis para tudo aquilo que me possa ameaçar". Ou seja, por um lado, "fico descansado que eles tenham um ou outro medo porque, sendo assim, ao pé dos deles, os meus medos não são tão esquisitos assim". E, por outro, "acredito que nada daquilo que os assuste me faça mal porque eles não deixam"!

Ora, em relação ao coronavirus, é importante que os pais falem às crianças duma doença com a qual, se não se tiver muitos cuidados, se pode ficar doente e, nos casos mais graves, se pode morrer. (Morrer não tem de ser um assunto interdito quando se trata dos pais falarem de perigos muito, muito graves.) E que, em função duma preocupação muito grande acerca daquilo que os pais entendem que é inegociável no comportamento dos seus filhos, eles (por enquanto) podem brincar com todos os colegas mas não podem andar aos abraços, nem se aproximar demais nem tocar neles. E não podem pôr as mãos na boca ou no nariz. E têm que lavar as mãos tantas vezes quantas as suas educadoras ou os seus professores entendam recomendar-lhes que o façam. E mais aquelas que - quer vão à casa de banho , estejam prestes a comer, ou no caso de espirrarem, por exemplo - os pais considerem ser indispensáveis.

Se os pais crêem que têm condições de rectaguarda para que isso se dê - considerando o jardim de infância, por exemplo - não será alarmista que ponderem afastar os filhos do contacto com a escola pelo tempo que entendam ser razoável, de forma a que se minimize, de forma inequívoca, a cadeia de transmissão virusal. E, considerando as notícias que "circulam" nos tempos de família, lá em casa, era muito importante que o coronavírus ficasse restringido aquilo que os pais entendam ser indispensável. Isto é, informação de mais "à solta", em sua casa, não representa um ganho por aí além para os seus filhos. Porque, entre aquilo que eles "apanham" no ar e as "versões" mais populares sobre o assunto que circulem no recreio, o verdadeiro "tutorial" sobre o assunto passa (sempre!) pela versão dos pais. De preferência, "alinhada" pela mãe e pelo pai. E, por mais que um e outro não tenham pontos de vista coincidentes sobre o assunto, é razoável que as divergências que possam ter sejam resguardadas do contacto com as crianças. Porque divergência de pontos de vista, por parte dos pais, "à vista" dos filhos, são dúvidas acrescidas à procura de explicação. E isso não é tão confortável assim para que uma criança se sinta segura.

Tudo o resto, dependerá das perguntas que os seus filhos, entretanto, lhe vierem a colocar. Ganha se os escutar, primeiro. Não se esqueça que eles têm pontos de vista que não perde se os discernir. E, depois, dê-lhes as explicações simples e claras que os ajudem a sossegar. Mas não se precipite nas explicações que lhes dê. Nem os alarme, por mais que a sua preocupação o atormente. Como lhe disse, bem gerido por nós, todo este "vendaval" pode ser um factor de crescimento para eles. E para nós, também.

 

por Eduardo Sá

 

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Ser o melhor do mundo de alguém e dizer "sim" a tudo o que ele diz não é amar. Porque nunca se faz cerimónia com quem se ama

“Devia ser proibido que as crianças mandem nos pais. Aliás, se as crianças mandam nos pais deviam poder votar. E, mais, deviam, ter uma palavra - muito preciosa! - sobre poderem não ir à escola. E para recusarem dar um salto ao dentista. E para pôr a sufrágio a necessidade, inquestionável, de lavarem os dentes, todos os dias. E, deviam, ainda, ter opção de escolha a propósito da realização dos trabalhos de casa. E sobre a necessidade de irem para a cama, na "hora das crianças", sem direito a verem desenhos animados, até se cansarem. E já que são madrugadoras aos sábados e aos domingos, deviam poder dormir até às horas que muito bem entendessem, de segunda até à sexta. E deviam não ter de sentir que é obrigatório comerem a sopa, antes da sobremesa. Nem ter de estar sentadas à refeição, sem se levantarem e sem que lhes permitam ir à casa de banho, a meio do empadão. Tudo isto porque se os pais se consideram, tacitamente, incompetentes para serem pais, a ponto de delegarem essas funções nos seus filhos (quase como quem tem a sua sagrada "missão" à troca), tudo o resto - a palavra, as regras, a autoridade, a proteção, as escolhas, a sabedoria e o sentido de justiça dos pais - que é inerente ao seu compromisso para com eles, devia ficar suspenso, por providência cautelar, até que os pais decidissem reconsiderar que estão em condições de mandar em quem lhes manda.

 

É claro que não se trata de supor que todos precisamos de ter quem mande em nós. Mas de acentuar, com parcimónia, que autoridade de pais não é nem autoritarismo nem prepotência. Nada disso! A autoridade dos pais sobre os seus filhos não é mandar; é dar a mão. É segurar, é aconchegar e é orientar. É, muito mais do que parece, mimar. E, de certa forma, fazer escolhas por eles e, em nome deles, convidá-los a crescer. Tudo isso ancorado na sua sabedoria e na sua bondade. Com uma certeza, claro: que é a partir delas que as crianças reconhecem que os pais têm, só por isso, legitimidade para serem pais. E, precisamente por isso, merecem que o seu amor faça com eles aquilo que há de mais sagrado.

 

Mas, afinal, o que é que se passa para que tantas crianças pareçam mandar nos pais? O que é que foi acontecendo para que tantos pais, que são os campeões universais da bondade, se encolham e, até, vacilem quando se trata de dizerem "não!"? O que é que os terá levado a comportarem-se com os filhos como se eles, pais, parecessem pequeninos e assustados e eles, filhos, "encarnassem" o lado mais senhor de si, mais autoritário e mais "a antiguidade é imposto, certo?" que os seus próprios pais poderão ter tido? Ou - o que também pode ter acontecido - o que é que os foi empurrando para o pressuposto que terão de ser de "algodão doce" para que os filhos os amem, os admirem e os respeitem? Ou, finalmente, o que é que os terá posto a imaginar que não dizerem "sim" e "não", sempre que entendam, será aquilo que melhor "paga" as "faturas" pelas suas faltas, pelas suas ausências e, sobretudo, pela forma como não definem hierarquias de prioridades e não escolhem estar com os filhos, mesmo quando podiam estar com eles?

 

E, depois, quem é que, de forma malévola, se pôs a dizer que as crianças precisam de "muito diálogo", de imensas explicações, e precisam de ser "levadas a bem" porque, doutro modo, tudo as traumatiza? Mas quem é que não gosta que os pais sejam respeitosos e justos e, de forma coerente e de acordo com tudo aquilo em que acreditam, eduquem, definam modos de estar, formas de responder e, mais, definam trilhos e tudo o resto que desbrava o mundo e dá bravura a um filho para que ele se empoleire na vida, a olhe nos olhos e faça de cada descoberta um planalto ou uma clareira e, então sim, possa crescer? Mas porque é que educar não é dizer "não"? Estarão os pais atentos para que não são os seus "sins" que orientam as crianças? Mas que são os seus bons exemplos e os seus "nãos" que, ligados uns nos outros, criam as condições para que elas cresçam? E, depois, porque é que todos parecem presumir que se educa sem dor? Ninguém quer, claro, que as crianças sofram e sofram. E, muito menos, que sejam atormentadas, intimidadas e aterrorizadas para crescerem. Mas, é claro, que um "não" dói sempre um bocadinho. E que é por isso que as crianças saudáveis só acatam um "não" depois de se enfurecerem, para fora ou para dentro. E só quando se resignam e não se perdem em "braços de ferro", por tudo e por nada, é que transformam as "dores do não" em "fatores de crescimento". E é, também por isso - porque não são de porcelana, porque não se partem nem se desmancham com um "não", como se deve dar - que, mesmo vencidas, recorrem à mais requintada demagogia e espalham "magia" com mais um "já não gosto de ti", ou "já não sou teu amigo" ou, ainda, com um "tu não gostas de mim".”

 

Eduardo Sá

 

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